Astronomia > Notícias

Nova classe de supernova sai reforçada

(1/1)

PauloSantos:
Uma equipa de astrónomos pôs a descoberto uma situação intrigante quando examinou dados de raios-X de DEM L238 e DEM L249, os remanescentes de duas supernovas na galáxia vizinha, a Grande Nuvem de Magalhães. Por um lado, a elevada concentração, pouco comum, de átomos de ferro implicava que os remanescentes são produto de explosões termonucleares de estrelas anãs branca, um tipo de supernova bem conhecida, chamada supernova do Tipo Ia. Por outro lado, o gás quente nos remanescentes era muito mais denso e brilhante em raios-X do que no típico remanescente de supernova Tipo Ia.

Uma anã branca, o estádio final da evolução de uma estrela como o Sol, é um objecto muito estável e não explode sozinho. Contudo, se uma anã branca tiver uma companheira próxima, poderá arrancar gás a essa companheira, crescer para lá de uma massa crítica, e por fim explodir.


Dois remanescentes de supernova na Grande Nuvem de Magalhães: DEM L238 (à direita) e DEM L249 (à esquerda). Esta imagem é uma sobreposição dos dados de raios-X obtidos pelo Chandra e XMM-Newton numa imagem no óptico, obtida pelo CTIO. À direita e em baixo, um imagem mais pormenorizada de DEM L238, obtida em três comprimentos de onda de raios-X: raios-X de baixa energia a vermelho, de energia média a verde, e de alta energia a azul. A região central, a verde, indica a presença de sobreabundância de ferro, uma das características de uma supernova Tipo Ia. Crédito: Credit: Raios-X: NASA/CXC/NCSU/K.Borkowski et al; óptico: NOAO/AURA/NSF/Points/Smith.

Simulações de computador de remanescentes de supernova Tipo Ia mostram que a explicação mais viável para estes dados de raios-X é o cenário no qual estas anãs brancas explodem em ambientes muito densos. Isto sugere que as estrelas que evoluíram para estas anãs brancas tinham uma massa mais elevada do que se esperava, porque sabe-se que as estrelas de maior massa expelem mais gás para a sua vizinhança.

“Sabemos que quanto mais massa tem uma estrela, mais curto será o seu tempo de vida,” disse Kazimierz Borkowski, da Universidade Estatal da Carolina do Norte, nos EUA. “Se uma estrela dessas também pudesse começar a arrancar matéria da sua companheira numa fase inicial, então esta estrela poderia ter uma vida curta e explodiria passados apenas 100 milhões de anos – muito menos que outras supernovas Tipo Ia.”

Outras equipas já tinha encontrado evidências para este tipo de supernova através de observações ópticas, mas a distâncias maiores, onde não é possível sondar o ambiente da explosão estelar. Estes novos dados representam exemplos próximos deste novo tipo de supernova. “Ainda precisamos de saber mais acerca dos detalhes destas explosões visto serem uma ferramenta tão importante no estudo da cosmologia,” disse Stephen Reynolds, também da Universidade Estatal da Carolina do Norte.

A luminosidade das explosões de supernova Tipo Ia é praticamente constante de estrela para estrela, o que as torna uma ferramenta muito útil na determinação de distâncias. Os astrónomos têm usado a observação de supernovas Tipo Ia para estudar a expansão acelerada do cosmos causada pela energia escura. Se as supernovas Tipo Ia puderem ocorrer mais rapidamente, como é sugerido neste estudo, então as supernovas Tipo Ia poderão ter existido muito mais cedo na história do Universo do que se pensava anteriormente, permitindo o estudo da expansão do Universo ainda mais jovem. Claro que há a possibilidade das supernovas Tipo Ia precoces terem propriedades distintas das supernovas Tipo Ia e não serem úteis da mesma forma na determinação de distâncias.

Os investigadores estão agora à procura de outros remanescentes de supernova, mais próximos, na própria Via Láctea, para ver se estas poderão ser exemplos desta nova classe. Por exemplo, a famosa supernova observada por Johannes Kepler em 1604 poderá ter sido uma supernova do Tipo Ia precoce.

Fonte: Portal do Astrónomo

Navegação

[0] Índice de mensagens

Ir para versão completa