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Buraco negro é descoberto num aglomerado de estrelas

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PauloSantos:
Uma equipa de cientistas descobriu um pequeno buraco negro no interior de um dos chamados cúmulos globulares, aglomerados de estrelas atraídas pela sua gravidade recíproca.

Thomas J. Maccarone, da Universidade de Southampton (Reino Unido), e outros colegas de várias universidades americanas comunicam no site da revista "Nature" a descoberta de um buraco negro de uma massa várias vezes superior à do Sol, na galáxia elíptica NGC 4472, do cúmulo de Virgem.

O achado é importante, destaca a publicação, uma vez que os astrónomos estão há anos a debater-se se os buracos negros podem existir no interior dos cúmulos globulares.

Muitos especialistas descartavam essa possibilidade com o argumento de que os buracos negros seriam expulsos em consequência das interações das forças de gravidade dos astros. Outros cientistas, por sua vez, achavam o contrário, que os processos dinâmicos nas regiões mais densas dos cúmulos podiam produzir buracos negros equivalentes a mil massas solares.

Fonte: Agência EFE in Yahoo News

PauloSantos:
Um complemento:

UM BURACO NEGRO OUSADO

Os astrónomos descobriram um buraco negro no interior de um enxame globular de
estrelas, local onde poucos pensavam que um destes objectos pudesse existir.
Esta descoberta traz grandes implicações para a compreensão da dinâmica dos
enxames estelares assim como para a hipótese da existência de uma nova classe
de buracos negros designados por "buracos negros de massa intermédia".

Os enxames globulares são conjuntos densos de milhares ou milhões de estrelas
velhas e, até à data, muitos cientistas duvidavam que um buraco negro pudesse
existir num ambiente tão exclusivo. Simulações em computador mostram que um
buraco negro recém-formado seria atraído para o centro do enxame de estrelas.
Após pouco tempo, este objecto seria catapultado para fora do enxame por acção
de forças gravíticas devido à interacção com as míriades de estrelas.

A nova descoberta fornece a primeira evidência convincente de que um buraco
negro pode residir e crescer num enxame globular.
Esta descoberta foi uma surpresa total que deixou os astrónomos bastante
surpreendidos. Já há algum tempo que se estava a preparar a observação
sistemática de milhares de enxames globulares na esperança de neles se
encontrar um buraco negro. O que não estava previsto era que no início da
pesquisa, logo no segundo enxame observado, o objecto que se procurava fosse
encontrado.

Existem duas grandes classes de buracos negros: buracos negros de grande massa
e de "massa estelar". Na primeira classe de buracos negros, cada um destes
objectos contém a massa de milhões ou de milhares de milhões de sóis. Estes
objectos são encontrados no centro da maioria das galáxias, incluindo a
Via-Láctea. Um quasar é uma das espécies de buracos negros de grande massa.
Na segunda classe de buracos negros, estes objectos contêm a massa de cerca de
10 sóis e são criados pelo colapso do núcleo de estrelas de grande massa.
Pensa-se que a nossa galáxia contém milhões de buracos negros deste tipo.


Uma ilustração artística de um buraco negro de massa estelar.


Os buracos negros são, por definição, invisíveis embora a região em torno
destes objectos possa emitir periódicamente radiação quando estes se
"alimentam". À medida que matéria em torno de um buraco negro cai em direcção
ao seu centro, esta aquece e atinge altas temperaturas emitindo radiação na
gama dos raios-X. O buraco negro descoberto foi detectado aquando deste
processo de "alimentação" numa galáxia designada por NGC 4472 localizada a
cerca de 50 milhões de anos-luz de distância, na constelação da Virgem.


Uma imagem da galáxia NGC 4472.


A análise da radiação de raios-X detectada nesta descoberta deixa poucas
dúvidas de que a fonte da radiação em questão se trata de um buraco negro. De
facto, o objecto estudado é bastante brilhante na gama dos raios-X, o que o
insere numa classe de objectos designada de Objectos Ultraluminosos em Raios-X
(OURX). Este tipo de objectos são demasiado brilhantes para se enquadrarem na
classe dos buracos negros de massa estelar. Assim, é frequentemente sugerido
que os OURX são buracos negros de massa intermédia (milhares de massas solares)
- buracos negros com massas maiores que os buracos negros estelares e menores
que os buracos negros de grande massa.

Os enxames globulares são das estruturas mais velhas no Universo, contendo
estrelas com mais de 12 milhões de anos de idade. Um buraco negro no interior
de um destes enxames provavelmente terá sido formado há muitos milhares de
milhões de anos atrás, o que levou os astrónomos a assumir que um objecto
destes nestas condições teria sido expulso do enxame há muito tempo.


Uma ilustração artística de um enxame globular estelar.


Especula-se que seja possível a fusão de um buraco negro de massa estelar com
outros objectos do mesmo género ou "engolir" gás proveniente de estrelas
aumentando assim a sua massa o suficiente de modo a manter-se "fixo" no
interior do enxame. Cem massas solares seria suficiente para que o buraco negro
atingisse este objectivo. Uma vez bem fixo, o buraco negro teria oportunidade
de se fundir com outros buracos negros e absorver gás proveniente da vizinhança
rica em matéria estelar. Desta forma este objecto poderia crescer até se tornar
um buraco negro de massa intermédia.

Se um buraco negro possuir massa suficiente, existe uma boa probabilidade de
este poder "resistir" no interior de um enxame globular, pois devido à sua
massa elevada, torna-se dificil "catapulta-lo" para fora do enxame. O que está
a intrigar os astrónomos é o facto de poderem estar a observar como um buraco
negro pode crescer consideravelmente, fixar-se no interior do enxame, e depois
continuar a crescer.
Por outro lado, existem vários fenómenos que podem fazer com que um buraco
negro possa parecer um OURX, sem necessárimanete esta radiação provir de um
buraco negro de massa intermédia. Assim, continuam a ser efectuados estudos que
vão ajudar a determinar se o objecto descoberto se trata realmente de um OURX
ou um buraco negro de massa estelar que mostra uma forma pouco usual de
absorver matéria.

Fonte: OAL

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