Autor Tópico: A influência da luz solar na rotação dos asteróides  (Lida 600 vezes)

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Offline PauloSantos

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A influência da luz solar na rotação dos asteróides
« em: Março 16, 2007, 12:47:22 pm »
O efeito Yarkovsky-O'Keefe-Radzievskii-Paddack (YORP) é responsável pela alteração do movimento de rotação dos pequenos corpos no Sistema Solar. O aquecimento causado pela luz solar ao atingir a superfície dos asteróides e meteoróides faz com que haja um pequeno recuo devido à libertação de calor. Apesar de ser quase impossível medir esta força, o seu efeito ao longo de milhões de anos não pode ser desprezado. Os astrónomos acreditam que o efeito YORP pode levar certos asteróides a terem velocidades de rotação tão elevadas que acabam por se dividir, dando origem a asteróides duplos. Outros poderão ter a sua velocidade de rotação diminuída, de forma a levarem vários dias para completarem uma volta. O efeito YORP poderá também ter um papel importante na alteração das órbitas dos asteróides que se encontram entre Marte e Júpiter.


Imagens de radar obtidas pelo radiotelescópio de Arecibo, cobrindo uma rotação completa do asteróide 2000 PH5 (colunas 1 e 4). Nas colunas 2 e 5, encontram-se os correspondentes modelos que melhor se ajustam às imagens. E nas colunas 3 e 6, modelos 3D detalhados da forma do asteróide. Crédito: ESO.

Apesar da sua importância, até agora o efeito YORP ainda não tinha sido observado em acção, num corpo do Sistema Solar. Foi necessário uma campanha extensiva de observações no óptico e no rádio para os astrónomos conseguirem confirmar a teoria de YORP num pequeno asteróide próximo, conhecido como (54509) 2000 PH5.

Pouco depois da sua descoberta, em 2000, os astrónomos aperceberam-se que o asteróide 2000 PH5 poderia ser o candidato ideal para a detecção do efeito YORP. Com um diâmetro de apenas 114 metros, o asteróide é relativamente pequeno e mais susceptível ao efeito. Também o seu período de rotação, de apenas 12 minutos, poderia ser o resultado de estar sob o efeito YORP há já bastante tempo.

Ao longo de quatro anos, uma equipa de astrónomos, liderada por Stephen Lowry (Universidade de Queens em Belfast), obteve imagens do asteróide com diferentes telescópios, incluindo o VLT de 8,2 m (ESO) situado no Monte Paranal (Chile), o NTT de 3,5 m (ESO), situado em La Silla (Chile), o telescópio de 3,5 m de Calar Alto (Espanha), e ainda com outros telescópios da República Checa, Ilhas Canárias, Havai, Espanha e Chile. Com estas observações, os investigadores mediram as pequenas variações no brilho do asteróide à medida que este roda.

Durante o mesmo período de tempo, uma equipa, liderada por P. Taylor e J. Margot (Universidade de Cornell) utilizaram as antenas do Observatório de Arecibo (Porto Rico) e de Goldstone (Califórnia) para observar o asteróide - um pulso de radar é enviado na direcção do asteróide e o seu eco é analisado. Com esta técnica, pode-se reconstruir um modelo 3D da forma do asteróide.

A anlálise dos dados das observações no óptico revelou que a velocidade de rotação do asteróide aumenta com o tempo a uma taxa de 1 milissegundo por ano, o que pode ser explicado pelo teoria do efeito YORP. Este resultado é apoiado pela análise conjunta dos dados ópticos e de radar.

Os investigadores determinaram também qual o futuro do asteróide, fazendo simulações que utilizam a medição realizada do efeito YORP e o modelo 3D da forma de 2000 PH5. Descobriram que a órbita do asteróide à volta do Sol deve manter-se estável durante os próximos 35 milhões de anos, permitindo que o período de rotação baixe por um factor de 36, atingindo apenas 20 segundos. Com uma velocidade de rotação tão elevada, é provável que o asteróide mude significativamente a sua forma, ou mesmo se divida, dando origem a um sistema duplo.

Fonte: Portal do Astrónomo
« Última modificação: Janeiro 01, 1970, 01:00:00 am por PauloSantos »
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