Autor Tópico: Um começo quente pode explicar os geysers de Encelado  (Lida 561 vezes)

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Offline PauloSantos

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Um começo quente pode explicar os geysers de Encelado
« em: Março 14, 2007, 01:09:23 pm »
De acordo com um novo estudo, as plumas observadas a serem libertadas pela lua de Saturno, Encelado, devem a sua existência a um flash de radioactividade que derreteu a lua gelada depois da sua formação.

Os cientistas ficaram espantados quando a sonda Cassini revelou plumas de vapor de água sendo ejectadas pela lua de Saturno, Encelado, em 2005. A observação sugeria a existência de água líquida por baixo da sua superfície, providenciando condições favoráveis para a vida.

Mas a fonte do calor necessário para produzir as plumas não tinha sido clarificado. Previamente, os cientistas sugeriram que era uma combinação de dois factores - o decaímento de isótopos radiocativos no núcleo rochoso da lua, e fricção à medida que a lua era esticada e comprimida pela gravidade de Saturno - um mecanismo chamado aquecimento das marés.


Os jactos gelados de Encelado espalham partículas para o espaço, formando o difuso anel E de Saturno.
Crédito: NASA/JPL/Space Sciente Institute


Mas esses dois processos só por si não poderiam explicar como Encelado desenvolveu um núcleo rochoso, pois deveria ter começado como uma mistura uniforme de rocha e gelo.

Um novo estudo propõe que um breve período de intenso decaímento radioactivo derreteu o gelo da lua, permitindo às rochas caírem para o seu centro e formarem um núcleo derretido. Julie Castillo-Rogez do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, liderou a equipa que estudou esta ideia.

Encelado podia ter acumulado uma grande proporção de breves isótopos chamados alumínio-26 e ferro-60 ao "varrer" pequenos objectos rochosos ricos nos dois isótopos. Chamados inclusões ricas em cálcio e alumínio, estes objectos com centímetros encontram-se embebidos em alguns meteoritos. Estão entre os primeiros sólidos a se formarem no Sistema Solar há cerca de 4.6 mil milhões de anos atrás, sugerindo que Encelado também coalesceu bem cedo.

Durante uns quantos milhões de anos, depois da formação de Encelado, estes isótopos terão decaído rapidamente e aquecido a lua. "O gelo dentro do satélite derreteu completamente," diz Castillo-Rogez. "Como resultado disto, a rocha separa-se do gelo e afunda-se para o centro."

No centro da lua, a rocha formaria um núcleo derretido, e a força das marés faria com que permanecesse aquecido até hoje em dia. O calor transportado do núcleo, que deveria ainda conter algumas bolsas derretidas, providenciaria calor suficiente para produzir as plumas, dizem os cientistas.

O quadro geral é que os isótopos de curta-duração - o alumínimo-26 tem um esperança média de vida de apenas 700,000 anos, por exemplo - são os responsáveis pelas plumas. "O decaímento dos radioisótopos de curta-duração não fazem este trabalho todo, mas podem iniciá-lo, para outros processos tomarem o seu lugar," diz Dennis Matson do JPL, membro da equipa de estudo.

O cenário poderá também explicar a observação do nitrogénio molecular nas plumas de Encelado observadas pela Cassini, explica Matson.

O nitrogénio poderá originar a quebra de amoníaco onde o núcleo da lua se encontra com a água e amoníaco. Para esta reacção ocorrer, a temperatura precisa de estar pelo menos a 300º Celsius. "Eventualmente chega à superfície e escapa para o espaço onde pode ser observado," afirma.

Os resultados foram anunciados na Segunda-feira passada na Conferência de Ciência Lunar e Planetária em Houston, Texas, EUA.

Fonte: Centro de Ciência VIva do Algarve
« Última modificação: Janeiro 01, 1970, 01:00:00 am por PauloSantos »
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