Autor Tópico: Rosetta passa por Marte  (Lida 572 vezes)

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Offline PauloSantos

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Rosetta passa por Marte
« em: Fevereiro 28, 2007, 01:26:26 pm »
Uma sonda europeia executou, no passado Domingo, um voo rasante por Marte. Esta é uma manobra crucial da sua viagem de dez anos pelo Sistema Solar até aterrar num cometa.

A manobra foi recebida com aplausos na ESA, sede de controlo da missão Rosetta, à medida que era recebido o sinal de rádio depois de 15 minutos de silêncio enquanto a sonda passava pelo Planeta Vermelho. O "flyby", que usa a gravidade do planeta para alterar o percurso da sonda, pô-la na direcção da Terra, onde irá também fazer outros dois voos rasantes, um ainda este ano e o outro em 2009.


Imagens em cores reais de Marte, tirada pelo instrumento OSIRIS a bordo da Rosetta.
Crédito: ESA © 2007 MPS for OSIRIS Team MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA


O momento ganho com estes voos rasantes orientará a sonda até ao seu encontro final com o cometa 67/Churyumov-Gerasimenko em 2014. O irregular pedaço de gelo, com 4.83 km de comprimento, gases gelados e poeira, partilha o nome dos seus descobridores, os astrónomos soviéticos Klim Churyumov e Svetlana Gerasimenko.

A sonda passou a uns meros 240 km de Marte. A navegação teve que ser precisa, pois se houvesse qualquer erro, este não poderia ser corrigido.


Espectacular imagem da Rosetta acima de Marte tirada pela câmara do "lander" Philae.
Crédito: CIVA / Philae / ESA Rosetta


Foi uma manobra que a sonda não estava originalmente desenhada para fazer, levando-a até à sombra de Marte, onde os seus painéis solares não puderam gerar electricidade para a permanecer viva. A missão original da Rosetta tinha um percurso onde não passava pela sombra, mas um atraso no seu lançamento forçou a alteração do seu alvo cometário.

Os cientistas da ESA resolveram o problema desligando muitos dos instrumentos da sonda e usando as suas baterias, não testadas desde o seu lançamento há quase três anos atrás.

A Rosetta saíu da sombra para um nascer-do-Sol marciano às 03:40 de Domingo e recuperou energia solar e sinal de rádio.


Impressão de artista da sonda Rosetta, do seu "lander" e cometa.
Crédito: ESA


Um "flyby" com sucesso é "fundamental para a missão," disse o gestor de operações da sonda, Andrea Accomazzo. "Se não fazemos isto, não temos uma missão."

Está planeado a sonda orbitar o cometa à medida que gira em torno do Sol e libertar um pequeno "lander" que irá tentar fazer a primeira aterragem num cometa. O "lander" tentará escavar a superfície e enviar via rádio uma análise da sua constituição.

Devido à gravidade do cometa ser tão fraca, este terá que usar harpões para se ancorar à superfície. Os cientistas esperam que o robot explorador seja capaz de fotografar o aparecimento da cauda do cometa, uma corrente de gases e poeira que aparece quando o corpo gelado aquece à medida que se aproxima do Sol.

Os cometas estão entre os objectos mais primitivos do Sistema Solar, já com 4.6 mil milhões de anos, e as análises das suas composições poderão lançar alguma luz sobre o princípio do Sistema Solar.

Em 2004, a missão Stardust da NASA passou por um cometa, recolheu milhares de partículas que saíam da sua superfície e enviou-as para a Terra.

Um ano depois, a Deep Impact, também da NASA, lançou uma sonda do tamanho de uma mesa de café que atingiu o cometa Tempel 1 com uma força tremenda, escavando material de bem fundo do seu interior. Os instrumentos a bordo da sonda-mãe analizaram os detritos daí resultantes.

O "lander" da Rosetta está desenhado para estudar a superfície do cometa durante pelo menos 65 horas, mas pode continuar a trabalhar durante meses.

Fonte: Centro de Ciência Viva do Algarve
« Última modificação: Janeiro 01, 1970, 01:00:00 am por PauloSantos »
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