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Offline PauloSantos

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Viking poderá afinal ter encontrado vida em Marte
« em: Janeiro 04, 2007, 11:21:48 am »
Uma análise falhada das naves gémeas Viking da NASA pode ter enganado os cientistas, fazendo com que passassem em branco por sinais de actividade biológica durante a sua inspecção da superfície marciana, há 30 anos. Investigadores dizem que um dos experimentos dos veículos de descenso não era suficientemente sensível para encontrar moléculas orgânicas em solo.

Ademais, outros investigadores sustentam que a equipa também pode ter-se enganado pelas estranhas formas que a vida marciana poderia adoptar.

Os resultados das experiências a bordo das Vikings são confusos, porque alguns deles sugeriram a presença de organismos capazes de digerir moléculas orgânicas. Porém um espectrómetro de massa gaso-cromatográfico (GCMS) não encontrou nada, o que fez com que a maioria dos cientistas duvidasse dos resultados dos exames de detecção de vida. Em contrapartida, supuseram que a reactividade do terreno se devia à presença de peróxidos ou de outras sustâncias reactivas.

Agora, um artigo de Rafael Navarro González da Universidade do México e outros, demonstra que o instrumento GCMS era incapaz de detectar compostos orgânicos inclusive em solos similares aos marcianos de vários lugares terrestres. Isto inclui partes do deserto de Atacama, no Chile, onde outros exames provaram que, de facto, havia microorganismos.



Estudos similares aos das Vikings realizados em Rio Tinto, Espanha, que contém micróbios, não descobriram sinais de compostos orgânicos.

Em alguns solos (incluindo amostras tomadas do Rio Tinto, na Espanha, que contêm compostos de ferro similares aos detectados pelo veículo Opportunity da NASA em solos marcianos), a sensibilidade do GCMS foi em realidade um milhão de vezes menor que o limiar necessário para a detecção, segundo Navarro González.

Gilbert Levin, um dos cientistas de Viking que sustentou durante longo tempo que o exame GCMS era errado, disse agora a New Scientist que o novo estudo proporciona “um forte apoio” à idéia de que, realmente, se detectou vida em Marte.



As pequeníssimas quantidades de matéria orgânica em solo do deserto de Atacama, Chile, não se descompuseram em moléculas menores quando se elevou a sua temperatura, método utilizado no experimento GCMS das Vikings.

O quebra-cabeça é: como explicar as causas da alta reactividade do solo marciano, unidas a um aparentemente muito baixo nível de compostos orgânicos, apesar do constante fluxo de material orgânico proveniente de asteróides, cometas e outras fontes planetárias. A maioria dos astrobiólogos assume que algum misterioso material oxidante no solo está a destruir o material orgânico.

Schulze-Makuch e Joop Houtkooper da Universidade Justus Liebig em Giessen, Alemanha, sugerem que uma forma exótica de vida marciana poderia proporcionar uma explicação mais clara. Propõem que em Marte poderia ter evoluido um organismo que utilizasse uma solução de água e peróxido de hidrogénio como fluido intracelular, em vez de unicamente água, tal como o fazem os organismos terrestres.

Isto teria a vantagem de permanecer líquido a temperaturas muito baixas, o que permitiria aos organismos sobreviver no frio clima marciano. Dessa forma, o peróxido de hidrogénio interno poderia ser o “misterioso” oxidante.

Há pressões para se agregar instrumentos que buscarão vida microbiana, segundo essa linha de investigação, nas próximas missões da NASA, ou na missão ExoMars da Agência Espacial Europeia, que será lançado entre 2011 e 2013.

Noticia original: New Scientist
« Última modificação: Janeiro 01, 1970, 01:00:00 am por PauloSantos »
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