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Offline PauloSantos

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Os segredos revelados pela Stardust
« em: Dezembro 26, 2006, 06:41:05 pm »
Há onze meses, a missão Stardust (NASA) regressou à Terra trazendo as primeiras amostras de um cometa recolhidas no espaço. Desde essa altura, quase 200 investigadores de todo o mundo estudam os minúsculos grãos à procura de pistas sobre a história física e química do nosso Sistema Solar. Ainda são necessários muitos anos de trabalho para decifrar os segredos do cometa Wild 2, mas alguns resultados preliminares já foram publicados, num conjunto de 7 artigos que aparecem na edição de 15 de Dezembro da revista científica Science.

O objectivo geral é responder às grandes questões sobre a natureza das amostras do cometa, incluindo a determinação das estruturas minerais, a composição química, e a química dos compostos orgânicos.


Pormenor de partículas da amostra de poeira do cometa Wild 2, trazida para a Terra pela missão Stardust. Crédito: NASA.

Os cientistas têm admitido que os cometas se formaram no início da formação do Sistema Solar, na região mais exterior e fria, e por isso consistem essencialmente do material primitivo, formado a temperaturas frias. Segundo esta hipótese, os cometas não sofreram influência da região mais interna e quente do Sistema Solar, onde a temperatura tornou-se muito elevada e onde se formou o Sol e os planetas terrestres.

egundo o registo contido nos grãos recolhidos pela Stardust, este quadro está apenas 90% correcto. Os rácios de certos isótopos sugerem que até 10% do material formou-se no interior da nebulosa solar, a temperaturas elevadas, e foi transportado para a região mais exterior e fria, onde o cometa se formou. A pista mais forte para esta conclusão vem dos rácios dos isótopos de oxigénio, que se assemelham aos que se encontram nos meteoritos que se formaram no interior do Sistema Solar.

Por outro lado, as medições de hidrogénio e azoto dizem-nos que a presença de isótopos mais pesados - o deutério e o azoto 15 - são uma forte indicação de que a poeira do cometa já existia antes do Sol se formar.

As estruturas das moléculas orgânicas contam-nos a mesma história. O material orgânico do cometa é muito diferente do que se conhece de outras fontes de material extraterrestre (meteoritos, poeira interestelar), mas algumas semelhanças importantes dizem-nos que não é material totalmente estranho ao nosso Sistema Solar.

As amostras contêm muito poucas estruturas aromáticas de carbono, que são comuns na Terra e nos meteoritos. Por sua vez, encontram-se muitas estruturas frágeis de carbono, que não teriam sobrevivido às condições mais duras na nebulosa solar. Estas moléculas também contêm mais oxigénio e azoto que nos meteoritos e existem em formas que nunca se viram em meteoritos.

Várias análises indicam a presença de PAHs - hidrocarbonetos aromáticos policíclicos comuns no espaço interstelar (e na Terra). Certas variedades de PAHs contêm oxigénio e azoto. Alguns cientistas acreditam que estas variantes também existem no espaço interstelar, mas há ainda muito para descobrir sobre este assunto. Apesar de algum material orgânico do cometa se assemelhar à orgânica estável que se encontra nos meteoritos, encontraram-se compostos muito voláteis, incluindo álcools.

O estudo da mineralogia revelou uma grande variedade na composição e tamanho das partículas da amostra trazida pela Stardust, encontrou minerais de alta temperatura e minerais de baixa temperatura, e uma grande diversidade de densidade de partículas. Tudo indica que partes do material do cometa formaram-se em condições diferentes, provavelmente em locais diferentes. Por exemplo, os minerais de alta temperatura devem ter sido ejectados da região interna do Sistema Solar para a região mais exterior e fria, onde o cometa se formou.

A natureza da poeira dos cometas é ainda um grande enigma. Os estudos preliminares indicam que se trata de uma mistura de partículas que claramente se formaram em locais diferentes, talvez em alturas diferentes, e certamente em condições muito distintas.

Fonte: Portal do Astrónomo
« Última modificação: Janeiro 01, 1970, 01:00:00 am por PauloSantos »
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