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Offline PauloSantos

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Uma nova visão do Sol
« em: Dezembro 12, 2006, 08:38:49 pm »
Chegaram até nós as primeiras imagens do satélite Solar HINODE (Solar-B). Lançado a 22 de Setembro deste ano pela Agência de Exploração Espacial Japonesa (NAOJ), o HINODE promete mudar a visão e aprofundar o conhecimento que temos sobre a nossa estrela. O sofisticado satélite está equipado com três modernos telescópios solares que observam em diferentes comprimentos de onda do espectro: um telescópio óptico (SOT), um telescópio de raios-X (XRT) e um espectrómetro de imagem no ultravioleta extremo.

O principal objectivo científico da missão é observar como se propagam as alterações do campo magnético da fotoesfera através das diferentes camadas atmosféricas do Sol que compõem as camadas mais altas da coroa solar. O HINODE (Solar-B) aumentará drasticamente o nosso conhecimento sobre a relação entre vários processos energéticos e a estrutura dos campos magnéticos solares, cujo estudo começou a ser feito pelas anteriores missões SMM (Solar Maximum Mission) em 1980, Hinotori em 1981, Yohkoh em 1991, a TRACE (Transition Region and Corona Explorer) em 1998 e a ainda activa SOHO (Solar and Heliospheric Observatory). Os objectivos da HINODE (Solar-B) podem ser resumidos da seguinte forma:

- Criação e destruição do campo magnético do Sol

Os campos magnéticos permeiam o espaço e desenvolvem um papel importante na modelação do Universo em todas as escalas. Os campos estão constantemente a ser gerados por dínamos no interior das estrelas e são transportados para o espaço pelos ventos estelares. O dínamo solar encontra-se suficientemente próximo e opera num curto período de onze anos, o que permite o seu estudo directo.


- Modulação da luminosidade do Sol

As observações efectuadas a partir do espaço durante a última década levaram-nos a concluir que a energia total emitida pelo Sol não é constante, mas varia de acordo com o ciclo de actividade magnética. Ao longo de um simples ciclo, a amplitude medida desta variação, embora pequena, foi apenas um factor de três a cinco abaixo do nível requerido para uma resposta climática significativa. O HINODE (Solar-B) realizará as primeiras observações com a resolução, cobertura de comprimentos de onda e escala temporal, adequadas para determinar o mecanismo interveniente na modulação magnética da luminosidade solar.


- Produção de radiação ultravioleta e de raios-X

O Sol é uma poderosa e forte fonte variável de ultravioletas, raios-X e partículas energéticas. Esta radiação de alta energia deve ser proveniente da aniquilação de energia magnética na atmosfera, na cromosfera e na coroa solares. Graças ao conjunto de instrumentos de alta resolução espacial e espectral que transporta, o HINODE (Solar-B) será capaz de estudar processos tais como a reconexão magnética e a dissipação de ondas, que se pensa serem responsáveis pela conversão de energia magnética em radiação ultravioleta e raios-X.



- Erupção e expansão da atmosfera solar

A coroa solar, a milhões de graus de temperatura, expande-se continuamente para o exterior, tornando-se um vento supersónico que sopra para lá da Terra, embatendo violentamente na magnetosfera e carregando electricamente a alta atmosfera da Terra. Observam-se grandes erupções na coroa solar, que causam enormes distúrbios magnéticos no nosso planeta. Esta missão fornecerá medições precisas dos campos magnéticos, das correntes eléctricas e campos de velocidade, revelando assim a origem das causas das erupções solares.



Em cima: mancha solar (banda CaII H, 397 nm) No meio: detalhe da granulação (banda G, 430 nm). Em baixo: erupção acima da mancha solar (banda CaII H, 397 nm). Crédito: NAOJ.


Para que estes objectivos sejam atingidos é necessário fazer observações contínuas e simultâneas de características solares específicas, o que se pretende alcançar através da utilização dos três instrumentos a bordo.

SOT - Telescópio Solar Óptico

Este é o mais avançado e o maior telescópio solar óptico no espaço. O SOT é composto por um telescópio de 50 cm de abertura, optimizado para medições precisas do vector do campo magnético da fotosfera e da dinâmica da da associação dos campos magnéticas à fotoesfera e cromosfera. Este telescópio obtém séries de imagens contínuas, de difracção limitada nos comprimentos de onda entre os 388 e os 668 nanómetros. Está equipado com um sistema de estabilização activa de imagem que permite minimizar as oscilações das imagens solares no plano focal dos sensores CCD. A sua órbita sincronizada com o Sol e o contacto com a estação terrestre de Svalbard, na Noruega, permitem a transferência de dados em quase todas as órbitas, tornando assim possível conduzir as observações 24 horas por dia, durante cerca de oito meses em cada ano.

XRT - Telescópio de Raios-X

Este telescópio possui uma resolução três vezes superior à do seu antecessor, o Yohkoh, e tem como missão observar a dissipação que ocorre ao longo do ciclo de vida dos campos magnéticos do Sol. Imagens de alta resolução de raios-X moles poderão revelar a configuração dos campos magnéticos e a sua evolução, permitindo-nos observar o processo de acréscimo, armazenamento e libertação de energia que ocorre na coroa solar durante qualquer evento de actividade do Sol.

EIS - Espectrómetro de imagem de ultravioleta extremo

Muitas das linhas de emissão do ultravioleta extremo, observadas na região de transição da atmosfera solar, a coroa, bem como nas fulgurâncias solares, estão contidas nos intervalos dos comprimentos de onda de 170 a 210 Å e de 250 a 290 Å, sendo possível aos observadores seleccionar, na área de imagem dos dois sensores CCD, um número de janelas espectrais que pode ir até 25.

Resta-nos aguardar ansiosamente pela divulgação dos resultados e das imagens que forem sendo produzidas, com a esperança firme e convicta de que estas contribuirão para melhorar e aumentar o ainda diminuto conhecimento que possuímos sobre o funcionamento da nossa estrela.

O gabinete do projecto HINODE (Solar-B) da NAOJ desempenha um papel de liderança no desenho e desenvolvimento da instrumentação, operação da missão e análise de dados em conjunto com a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial, promovendo em simultâneo uma estreita colaboração com os parceiros Europeus e dos Estados Unidos.


Fonte: Portal do Astrónomo
« Última modificação: Janeiro 01, 1970, 01:00:00 am por PauloSantos »
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