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Offline PauloSantos

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Análise de uma estrela parasita estranha
« em: Setembro 15, 2007, 12:51:18 pm »
Os astrónomos detectaram uma estrela morta em rotação que se está a alimentar da sua companheira, reduzindo-a a um objecto menor que alguns planetas.

"Este objecto é pouco mais que um esqueleto de uma estrela," disse Craig Markwardt do Goddard Space Flight Center da NASA em Maryland. "O pulsar já comeu o invólucro exterior da estrela e aquilo que resta é o núcleo rico em hélio."

"Os pulsares são os núcleos de estrelas de neutrões que giram a centenas de rotações por segundo, muito mais rapidamente que uma trituradora."

O sistema, conhecido como SWIFT J1756.9-2508, foi descoberto no início de Junho quando os satélites Swift e Rossi X-ray Timing Explorer (RXTE) detectaram uma erupção de raios-X e raios gama na direcção do centro da Via Láctea na constelação de Sagitário.

A pequena companheira orbita a sua companheira parasita a uma distância de cerca de 400.000 km, o que é aproximadamente a distância da Terra à Lua, embora esta determinação tenha alguma incerteza. De acordo com as leis de Kepler, a sua massa estimada é de apenas cerca de 7 vezes a massa de Júpiter, mas poderá ser um pouco maior. Ao contrário de três objectos planetários encontrados em torno de um pulsar em 1992, os cientistas não consideram que o novo objecto possa ser um planeta devido ao modo como se formou.


Impressão de Artista da SWIFT J1756.9-2508.
Crédito: Aurore Simonnet/Sonoma State University.


"Trata-se essencialmente de uma anã branca que foi "emagrecida" até uma massa planetária", disse Christopher Deloye da Northwestern University, um dos membros da equipa.

Os cientista crêem que há vários milhares de milhões de anos o sistema seria constituído por uma estrela muito massiva e outra mais pequena de cerca de 1 a 3 massas solares. A estrela maior evoluiu rapidamente e explodiu como uma supernova produzindo um resto estelar conhecido como estrela de neutrões. Entretanto, a estrela mais pequena começou a evoluir também, tornando-se uma gigante vermelha cujo invólucro mais exterior envolveu a estrela de neutrões.

Isto fez com que as duas estrelas se aproximassem uma da outra ejectando simultaneamente o invólucro da gigante vermelha para o espaço.

Após milhares de milhões de anos, pouco resta da estrela companheira e não é claro se esta sobreviverá. Hoje os dois objectos estão muito próximos um do outro e a estrela de neutrões aspira gás da sua companheira formando um disco de acreção em torno de si. O disco ocasionalmente liberta grandes quantidades de gás para a estrela de neutrões produzindo erupções de energia como a detectada em Junho.

Este sistema foi estudado detalhadamente em dois trabalhos que serão publicados em breve na Astrophysical Journal Letters.

O sistema é apenas o oitavo pulsar com um período de milissegundo que se sabe acretar massa de um pequeno companheiro. Destes, apenas o pulsar XTE J1807-294 tem uma massa mínima de dimensões semelhantes às do SWIFT J1756.9-2508.

Fonte: Centro Ciência Viva Algarve
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