Autor Tópico: 500 dias em Vénus  (Lida 596 vezes)

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Offline PauloSantos

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500 dias em Vénus
« em: Setembro 06, 2007, 11:50:54 am »
A Venus Express orbita o gémeo da Terra há já 500 dias terrestres, completando o mesmo número de órbitas. Enquanto o satélite se mantém estável e com uma performance excelente, o planeta continua a surpreender e a espantar.

Embora se encontre num ambiente algo provocador, a Venus Express está em excelente condições. Recebe quatro vezes mais radiação solar que a sua sonda gémea, Mars Express, mas as modificações ao desenho da sonda funcionaram como planeado e as operações têm decorrido de um modo muito estável.

Muitas actividades diferentes transpiram a bordo a cada órbita: os instrumentos são ligados e desligados, os seus modos de operação são alterados, tal como os seus alvos, e a sonda testa e monitoriza os seus sub-sistemas de um modo mais ou menos contínuo. As poucas anomalias que ocorreram foram rapidamente resolvidas por controladores vigilantes.


Impressão de aritsta da Venus Express em torno de Vénus.
Crédito: ESA


A 18 de Agosto, Vénus encontrava-se na mais curta distância da Terra. O planeta estava também alinhado com a Terra e com o Sol. Dada a curta distância, todos os instrumentos e o sistema de comunicações funcionaram à máxima velocidade. Aqui na Terra, o download dos dados foi feito sem dificuldade.

Esta situação é muito diferente quando Vénus se encontra no outro lado do Sol. Devido à grande distância, a velocidade de envio dos dados baixa para 22 kbps, um décimo do máximo. Nestas alturas, a competição entre os instrumentos pode ser bastante dura. Mesmo assim, uma quantidade impressionante de dados - cerca de 1 Terabit, 10^12 bits - foi transmitido para a Terra durante os primeiros 500 dias.

Håkan Svedhem, cientista do projecto Venus Express, diz: "Os cientistas analisando os dados têm uma tarefa difícil mas excitante à sua frente." Terão que arquivar os dados e extraír os detalhes mais importantes desta imensa colecção de imagens, espectros e perfis de temperatura, pressão e composição química.

As primeiras análises detalhadas estão agora a ser terminadas e dentro em breve serão publicadas em revistas científicas. Entre muitos outros achados que surpreenderam os cientistas, está o facto da atmosfera de Vénus parecer extremamente instável. Observações recentes com o Espectómetro Visível e Infravermelho (VIRTIS), mostraram que a estrutura atmosférica de Vénus muda rapidamente, de dia para dia.


Imagens nocturnas tiradas em oitos órbitas consecutivas em Fevereiro de 2007. Cores intensas e brilhantes mostram áreas com menos nuvens. Isto é devido à radiação ser originária de regiões mais quentes por baixo das nuvens, que é bloqueada para nuvens mais espessas.
Crédito: ESA/ VIRTIS/ INAF-IASF/ Obs. de Paris - LESIA


Giuseppe Piccioni, investigador co-principal do VIRTIS a bordo da Venus Express, diz: "Parece que nas latitudes médias se forma uma espécie de região de transição com fluxos na sua maioria laminares. Movendo-se na direcção do equador, existem mais fluxos convectivos na atmosfera, ao passo que as regiões polares são dominadas por enormes vórtices.

A meteorologia do planeta, incluindo a sua atmosfera profunda, é altamente variável. "Embora a configuração do fluxo seja similar, a instensidade da turbulência muda significativamente de uma órbita para outra," acrescenta Pierre Drossart, investigador co-principal do VIRTIS.

A região polar ou o 'buraco negro' visto em imagens é onde o dipólo polar domina. O dipólo polar é o nome dado ao duplo-vortex gigante, cada um com cerca de 2000 km de diâmetro, semelhante ao olho de um furacão. O duplo-vortex foi visto em ambos os pólos, rodando em direcções opostas (no sentido dos ponteiros do relógio no pólo Norte e ao contrário no pólo Sul). As observações com a Venus Express mostram que o vortex no pólo Sul também muda de forma rapidamente, de uma órbita para outra.

Fonte: Centro Ciência Viva do Algarve
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Altura 138m